quarta-feira, abril 06, 2005

Que combate?

Fala-se em combate cultural da Direita, mas parece que este se resume mais a um conjunto de elucubrações de economia política típico dos algoritmos andantes da chamada Direita anarco-libertária, que tem como agenda o “imposto único, o cheque de ensino, o cheque saúde” e lá para o fim a concessão a “uma CPLP politicamente activa”.

Não é que os aspectos económicos não tenham relevo, mas são apenas meios e instrumentos. Se o tal combate se pretende cultural deve começar por explicar em que é que estas propostas contribuirão para criar mais liberdade, autoridade e sobretudo futuro para os portugueses.

A chamada Direita moderna, se quer ser credível, não se pode limitar a debitar ideias desgarradas da Spectator ou do Economist devidamente enquadradas pelas “vacas sagradas” de Hayek, o austríaco que se pretendia Whig mas que destes só usava a peruca.

Como dizia Irving Kristol, na peugada da critica de Oakeshott acerca das receitas expostas em “The Road to Serfdom”: “I had not read that book, and though I have come to admire his later writings in political philosophy and intellectual history, I still haven't read it.”

(E já que se fala do grande filósofo inglês julgo que a melhor tradução para português de “On Being Conservative” seria “O que é um tradicionalista liberal”, designação que pode incluir desde o último Alexandre Herculano a António Sardinha, entre muitos outros).

Posto isto, apesar das diferenças de método, estamos todos do mesmo lado.