sexta-feira, abril 01, 2005

Ken Livingstone e o ocaso da democracia

O século XXI trouxe, com uma maior incidência, o regresso de um velho fantasma: o anti semitismo. Um dos personagens que tem sido acusado de anti-semita é o Senhor Ken Livingstone, o Mayor de Londres.

Mr. Livingstone tornou-se famoso pelas suas declarações e pelas suas tomadas de posições extremistas (conotadas com a esquerda). Nos últimos tempos voltou ao Labour Party para vencer as primeiras eleições autárquicas de Londres. Mas vamos aos factos que me levam a escrever umas palavras de aprumo contra este senhor.

Após uma insistência, numa conferência de imprensa, de um jornalista do Daily Mail (jornal conotado com os Tories) na pergunta “How did tonight go?”, Ken resolveu inverter os papeis e perguntar àquele se tinha sido um criminoso de guerra alemão. O jornalista prontamente respondeu que era Judeu e que a pergunta o ofendia pessoalmente. Gentleman Ken prontamente respondeu que mesmo o sendo, continuava a actuar como se fosse um guarda de um campo de concentração. O episódio prolongou-se e fez escândalo na terra de Sua Majestade.

O Primeiro-Ministro Tony Blair afirmou que o Senhor Ken deveria pedir desculpa pelas afirmações. O Board of Deputies of British Jews, na voz do seu Presidente, Henry Grunwald, afirmou que Todos mereciam uma desculpa. Diversos membros do Labour Party distanciaram-se de Livinstone. Não obstante este rol de críticas, o Lord Mayour recusou-se a pedir desculpa e começou a disparar noutra direcção, no Primeiro-Ministro de Israel.

Num artigo publicado no The Guardian, Ken o vermelho resolveu vir dizer que Israel é um Estado racista, que continua a incorrer em acções militares contra os Palestinianos, que Ariel Sharon organiza o terror contra o Povo Palestiniano e começa agora a organizar ataques contra os muçulmanos em geral. Termina o seu artigo escrevendo que o anti semitismo e o racismo devem ser combatidos. Irónico.

A minha opinião vai ao encontro de um artigo publicado no Spectator e que demonstra a realidade de uma Grã-Bretanha em véspera de eleições. O eleitorado Judaico divide-se entre os dois partidos, Labour e Tories. O líder Tory não só é Judeu, como frequenta a Liberal Synagogue, que faz esquina com o Lords Cricket Ground. Com a intervenção da Grã-Bretanha no Iraque, o tradicional “voto Muçulmano” no Labour Party perdeu-se. Não nos podemos esquecer que a Comunidade Muçulmana cresce de ano para ano, representando cerca de 20% do eleitorado. Se juntarmos os cartazes de campanha do Labour Party a ridicularizar as imagens do líder Tory e de um seu assessor (igualmente Judeu) como se fossem porcos, as declarações de Livingstone enquadram-se na época.

Tudo faz sentido quando se ofendem gratuitamente os Judeus, Israel e se defende o hejab. O interesse está no voto e em vencer eleições. Livingstone sabia o que dizia, o objectivo é diminuir os Conservadores e ganhar o eleitorado.

Aqui está o ocaso da democracia, quando ela se resume ao voto.


NWM