quarta-feira, março 09, 2005

A (nossa) “Tradição da Liberdade”

...é o título de uma colectânea de artigos de João Carlos Espada. Trata-se de um autor notável, cuja evolução no sentido de um liberalismo conservador é visível semana após semana, e a quem se deve a introdução entre nós dos epígonos desta linha de pensamento.

No entanto, Portugal tem também uma tradição intelectual de liberalismo conservador, facto pouco notado por JCE no seu (justificado e partilhado) encanto com o mundo anglo – saxónico.

Quando Disraeli e Lord Acton despontavam em Inglaterra, em Portugal floresciam um D. Pedro V, o mais profundo pensador liberal do nosso séc. XIX, um Conde de Samodães ou um Herculano, entre outros.

Não por acaso o desconhecido João Oliveira de Carvalho escreveu, em 1833, estas palavras no prefácio ao “Ensaio sobre a verdadeira origem, extensão e fim do Governo Civil” de John Locke:

«A Carta Constitucional foi baseada pelo Senhor D. Pedro IV, legítimo Rei de Portugal, nas instituições que por muito tempo regeram os Portugueses, e que por alguns anos lhes tinham sido usurpadas.

Tudo o que o Senhor D. Pedro IV fez, foi moldá-las às necessidades dos tempos: pondo-as a par da civilização do resto do mundo e restituí-las assim aos Portugueses, que as receberam, aplaudiram e juraram com o maior entusiasmo; e todos os monarcas e governos do mundo as reconheceram como legítimas.»

Embora combatendo sempre contra e “entre a servidão e o abuso”, também por cá existe uma milenar tradição da liberdade: “Nos libri sumus, rex noster liber est et manus nostras nos liberaverunt...